A glória dos Castlevanias nos 16-bits !

OH Boy! Bons tempos…

No final de 1990, a Nintendo lançou seu Super Nintendo e junto com ele alguns títulos de peso. Devo dizer que caguei fortemente para a maioria deles. Enquanto as pessoas deliravam jogando Super Mario World, eu voltava minha atenção para outro jogo..

 Nessa época, infelizmente eu ainda não tinha um SNES e tão pouco existia um Castlevania para o Mega Drive, então eu estava carente desta série e gastava tudo que eu podia na locadora em horas neste jogo. E os motivos eram simples, os gráficos eram caprichados e bem coloridos, seu personagem era uma tartaruga mas era gigante ! Eu falava: “ele é lento porque ele usa armadura de cavaleiro, é fodão”. Nossa, boas lembranças..Lembro bem que todos vibravam com os novos efeitos do mode 7 e com o poderio sonoro do Super Nintendo, foi marcante.

Então, depois de alguns anos folheando minha revista mensal de games, vejo que naquele ano de 1994, a Konami iria lançar um Castlevania exclusivo para o Mega Drive. Fiquei animado e receoso ao mesmo tempo, devido o histórico de conversões da empresa para o console da SEGA. Foi então que no mês de março daquele mesmo ano que eu coloquei as mãos nessa maravilha..

O bom de ser um cliente antigo e frequente de uma locadora é que você tem certas regalias e amizade com o dono do estabelecimento, o que me fez por as mãos rapidamente nesse jogo. E a primeira impressão que eu tive me fez lembrar a minha reação ao jogar aquele Castlevania em 91 no Snes. Meu Mega era ligado a um som estéreo na sala e ao começar o jogo aquela música tomou conta de mim, a empolgação foi imediata. Depois veio a primeira novidade: “PQP, a gente agora pode escolher personagem? essa porra é Castlevania mesmo? q foda!” eu e meu irmão logo começamos a aventura e nos deparamos com um dos melhores títulos para o console da SEGA.

Depois de anos, muitas pessoas ainda levantam suas cruzes para argumentar qual o melhor entre eles. E ainda existem alguns que não sabem o que dizem e abrem a boca para falar daquele terrível Dracula X do Snes, que é uma blasfêmia sem limites, então vamos olhar estes dois games de perto e ver o que cada um tem de melhor..

E antes que você levante o dedo para falar: “Pyron! E o Rondo of Blood do Pc-Engine ?”, deixa eu responder logo. Este jogo é de longe o melhor Castlevania clássico, mas como o Turbografx-16/PC-Engine era raro por essas bandas e nesta época eu não tive a oportunidade de jogar este título, irei falar somente dele mais tarde pessoal, englobando tudo que ele tem direito, então vamos lá.

Jogabilidade

No SCIV, Simon Belmont se move extremamente lento, e tudo ao seu redor acompanha essa velocidade. Claramente é o jogo mais lento da série, era algo que ajuda os novatos a enfrentar os desafios do jogo já que fica mais fácil de acompanhar o que está acontecendo na tela. Este jogo também trouxe algumas inovações inéditas para franquia. Agora Simon pode pular sobre as escadas ajudando a escapar de armadilhas, ele também foi o primeiro jogo da série a permitir você controlar o pulo no ar. Você também é capaz de atacar em múltiplas direções, seja no chão ou durante os saltos, além de poder balançar seu chicote ou deixa-lo estático para bloquear alguns projéteis ou até mesmo atingir aqueles inimigos posicionados abaixo de você. E finalmente, usá-lo para se pendurar em objetos do cenário que foi algo que todo fã da série esperava do uso do chicote.

 Já o Bloodlines, segue a linha de todo bom título do Mega Drive, o jogo é rápido e muito fluído, talvez esse seja o jogo mais rápido em toda franquia. Aqui você pode controlar dois personagens, Morris e LeCarde e em comparação aos outros jogos da série, parece que seu personagem está correndo pela tela. Tudo acontece de maneira precisa e não tem como os jogadores culparem os controles. Neste jogo as escadas não são mais um problema já que você pode pular sobre e para fora delas a qualquer momento ajudando ainda mais a fugir dos obstáculos. O pulo aqui voltou para forma clássica aonde você só pode pular para uma direção sem poder controlar seu salto no ar, o que aumenta ainda mais a dificuldade. Como o jogo tem dois personagens com técnicas bem específicas, o design dos cenários foram um dos mais criativos da série, tirando proveito das habilidades de cada personagem, até mudando a rota por onde cada um percorre em algumas fases.  LeCard pode atacar em várias direções, como o Simon do SCIV. Ele também pode usar sua lança para alcançar lugares mais altos, enquanto Morris pode usar seu chicote para se pendurar no teto e alcançar lugares inexplorados ou fugir de perigos. Fica claro que os Designers decidiram equilibrar as habilidades do Simon do SCIV entre os dois personagens e tornar o título mais desafiador.

Gráficos

SCIV era um colírio para os olhos e um dos games que mostraram do que o mode 7 era capaz. As cores eram vivas e os cenários são bem pintados e detalhados. O problema é que a Konami se preocupou tanto em deixar os gráficos bonitos e coloridos que esqueceram de criar a atmosfera para o jogo. Tudo é claro e colorido demais para um jogo dessa temática, fica claro também que a Konami trabalhou junto com a Nintendo para tentar mostrar do que o Snes era capaz, o uso de efeitos é exagerado aqui, ele praticamente mostra todo tipo de efeito que o console pode fazer. A cada oportunidade que o jogo tem ele tenta dá zoom em algum objeto ou jogar um efeito na sua cara, por exemplo, quando você mata o Golem, vários pedacinhos escalam e explodem pela tela. Em outra fase o cenários rotaciona em torno de você e a linda fase clássica que você anda pela torre tombada fazia parte de qualquer poster da Nintendo.

O único problema nessa estratégia em apresentar tantos efeitos ao mesmo tempo é que depois deste jogo os donos do Snes não iriam ter novidades adiante por um bom tempo, como todos os efeitos do mode 7 são padronizados você via os mesmos efeitos idênticos em quase todos os outros títulos da plataforma….

Agora partindo para o Bloodlines, devo dizer que este jogo salta aos olhos e vai contra o seu antecessor. Enquanto SCIV tende a por tudo super colorido aonde até ambientes como cavernas são claros e lustrosos, o Bloodlines tem uma pegada bem Dark que se acomoda bem a paleta do Mega Drive e ainda conta com vários efeitos avançados nunca vistos até então. Exemplo disso é a segunda fase “Atlantis” aonde você vê a água subindo e descendo com a maré, refletindo todos os objetos do cenário. Ele também conta com vários objetos destrutivos e cenários interativos com os personagens que você deve explorar para avançar na aventura. Na terceira fase, em “Pisa” Itália, a torre fica cambaleando para os lados com você dentro e na sexta fase tem uma sala de espelhos que confunde o seu avanço…

Outro ponto forte do jogo é a animação dos inimigos, cada um morre de um jeito diferente, jorram sangue pela tela, explodem, secam até virarem cinzas e etc.. Ele também faz muito uso de “multi-joitend sprites”, com isso é fácil ver inimigos gigantes e bem articulados em várias partes do jogo, técnica que era muito presente em títulos do Mega Drive e que foi usada em larga escala nos consoles de 32 bits, inclusive no título posterior “Simphony of the Night”.

A maior diferença notada aqui é que no SCIV os efeitos gráficos são mostrados muitas vezes ao esmo para promover o poder no console e impressionar o jogador, enquanto no Bloodlines é usado com contexto e está integrado ao level design.

Level Design

Como havia comentado antes, há diferenças brutais aqui, SCIV tem muito mais estágios que o Bloodlines: ele possuí 11 estágios enquanto o outro tem 6. Porém, temos que fazer algumas ressalvas. Os estágios 1, 2 e 5 do SCIV são extremamente curtos, alguns nem BOSS de fase tem, fazendo os jogadores mais experientes terminarem a fase em menos de 5 minutos, isso em um jogo que você se move extremamente lento. Fica claro que a pegada aqui é mais clássica, cada estágio tem uma ambientação distinta que se mantém praticamente a mesma do início ao fim, aonde você vai caminhando de um ponto ao outro da tela eliminando os inimigos para avançar para próxima parte, bem ao estilo clássico mesmo. Isso só é quebrado quando o jogo usa algum elemento de mode 7 no qual o cenário gira com você pendurado no chicote como no estágio 4 por exemplo.

Exemplos de estágio SCIV – Biblioteca :

Outro ponto que deve ser notado é que os estágios no Bloodlines são extremamente extensos, com vários sub-stages variando o design em cada um deles, te oferecendo um desafio diferente. Fica claro que os desenvolvedores tentaram sempre colocar em cada sala um jeito diferente de testar o jogador, te levando ao limite e incentivando você a usar novas táticas, que acaba aumentado a dificuldade e caso você morra e use continue você tem um percurso bem mais longo e árduo para percorrer até conseguir vencer o estágio e passar adiante. Outro ponto é que, dependendo do personagem, em alguns estágios você acaba pegando rotas diferentes já que certos lugares só são acessíveis usando habilidades próprias de cada um deles te levando a uma parte completamente diferente da outra.

Exemplos de estágio Bloodlines – France :

Som

Eis um quesito que rola muita polêmica, cada jogo soa radicalmente diferente um do outro. Devo dizer que SCIV tem excelentes sons FX’s e uma trilha sonora de qualidade soberba, de longe é a melhor dos primeiros títulos do Snes. A qualidade dos instrumentos era algo que nunca tinha se ouvido em um console antes, a música de introdução seguida do primeiro estágio era tão foda que qualquer pessoa de bom gosto se levantou para aumentar o volume da TV. O jogo conta ainda com vários remixes dos temas clássicos que trazem a alegria de qualquer fã da série, uma trilha que marcou os bons jogadores.

 

Já o Castlevania Bloodlines deu um choque em quem teimava em falar que o Mega Drive soava mal. Ele marcou a entrada de Michiru Yamane na Konami, que até então era uma compositora independente e desconhecida no mercado. Para as pessoas terem uma ideia, todas as trilhas dos grandes títulos da Konami eram produzidos pela banda oficial da empresa chamada “Dreams Come True” e como a Konami gosta muito da plataforma da Sega, decidiu por a estagiária para fazer a trilha do jogo. Sorte do destino, essa compositora era tão talentosa e versátil que depois de Bloodlines, ela passou a fazer a trilha de todos os jogos da série até 2008, que foi seu último ano na empresa.

Bloodlines não tem um som FX excelente como o SCIV, ele tem até alguns efeitos que soam estranhos aos ouvidos. Já a música leva o chip FM do Mega aos limites e é claramente uma das melhores trilhas do console. O jogo também conta com alguns remixes clássicos excelentes, mas ele se destaca mesmo nas composições inéditas e inspiradoras nas quais Michiru mostrou para que veio. A qualidade e feeling das músicas é algo que você não encontra em nenhum outro título da série Castlevania ou entre todos os consoles de 16 bits. É um marco na história do Mega Drive e dos games em geral!

Ambos jogos soam radicalmente diferentes e aproveitam o melhor da plataforma ma qual foram lançados. Dizer qual o melhor é muito difícil, tudo vai depender do seu gosto pessoal, mas independente da sua preferência, seus ouvidos vão ficar mais alegres e saudáveis após jogar estes jogos.

Considerações Finais

Ano após ano, eu me pego jogando os clássicos dos videogames e a série Castlevania é uma das minhas prediletas. Com as novas gerações de consoles, a série perdeu um pouco do seu brilho e já não tem o mesmo peso de antes, muito jogadores sequer jogaram os títulos clássicos. Com isso, me senti na obrigação de falar destes títulos que marcaram minha vida.

O SCIV é um clássico, talvez um dos títulos mais queridos pelo público e fica fácil de entender esse carinho. Ele foi o jogo que fez a transição dos 8 para os 16 bits, além de trazer muitas novidades na jogabilidade e mostrar os efeitos inovadores do mode 7, porém, fica claro que vem de uma escola mais tradicional. Ele lembra muito o primeiro Castlevania do Arcade, desconfio que ele foi um tipo de remake devido as semelhanças. Também pude notar como a idade pesa sobre este título. Os jogadores mais antigos irão apreciar esse jogo, porém, o público mais novo terá alguns problemas, esse ritmo lento incomoda um pouco, e o fato dele ser longo o deixa um pouco cansativo. Mas se você puder deixar essa parte de lado irá apreciar uma obra prima do SNES e um dos títulos mais importantes dos 16 bits.

O Castlevania Bloodlines é um dos títulos mais importantes do Mega Drive e um dos mais underrated da série. Fico triste que muitas pessoas daquela época não experimentaram este jogo por birra pela guerra entre os sistemas. Este título tem um dos melhores level designs de toda a série castlevania e ainda é veloz, sangrento e visceral. E vai levar você aos seus limites e te por a prova. É um jogo muito competente em todos os aspectos que ainda, de quebra, trouxe uma trilha sonora inspiradora de qualidade, que não fica devendo em nada para a versão de SNES. Então se você ainda não jogou, faça-o agora! A única ressalva é que este jogo também afasta os novatos. Enquanto a versão do Snes é lenta, a versão de Mega é difícil demais para os padrões atuais, que pode deixar a geração mais jovem bem frustada.

Então joguem essas duas obras primas dos games e saúdem a glória dos 16 Bits !!

Pyron

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8 comentários em “A glória dos Castlevanias nos 16-bits !

  1. Véi… Correram algumas lágrimas de nostalgia aqui véi… Castlevania é a única série que mantenho as ROMs no meu pc pra, quando der saudade, dar aquela emulada… E essas músicas véi… Essas músicas… :’)

  2. Cara, o primeiro Castlevania que joguei foi o Dracula X, sim achei foda e tal por causa da história, mais tarde fui conhecer o Super Castlevania 4 e falei que jogo doido da porra, gráficos história e jogabilidade, dá um coro no Dracula X, em seguida descobri o Bloodlines de Mega Drive, sim foi paixão a primeira vista e não teve outra cara foi um motivo mais para eu querer um Mega Drive, na verdade já era apaixonado pelo Mega por causa de seus jogos e tal, e depois de muito tempo fui conhecer o Rondo of Blood que é foda pra caralho.

    Excelente matéria Pyron, tive que comentar mesmo sendo do site hehehe 😀

  3. Comecei pelo SotN ❤ Depois fui tentar jogar os do Playstation 2 *Lament of Innocence e Curse of Darknes* <//3 Heart brokens. Mas daí comprei um Nintendo DS e pude jogar Aria e Dawn of Sorrow * o Aria eu dei sorte de um amigo ter um cartucho e me emprestar* Logo eu estava jogando o Order of Ecclesia, e depois o Portrait of Ruin, e depois o Dracula X Chronicles do PSP , que foi difícil pra caralho por motivos de movimentos lentos e pulos sem poder mudar a trajetória. Queria ter paciência pra poder terminar os antigos, mas nunca consegui D:

    • Você que começou pela nova leva realmente deve ser difícil se acostumar com o estilo clássico de jogabilidade, mas se você tiver paciência logo você pega a manhã e passa a assimilar e apreciar o estilo, vale a pena tentar =D

  4. Eis dois jogos que curto bastante, mas só tive a competência (e tempo) de fechar o Bloodlines com o Eric Lecarde.
    Mas devo remediar isso ASAP (ou quando as férias chegarem, hehehe).
    Parabéns pelo ótimo review, camarada Pyron. O bom que você tentou fazer comparações que agregam valor ao jogo, não menosprezando a contraparte (coisa muito comum em comparações parciais que vemos a todo momento por aí, né?).
    Continue assim que papai Agent vai curtir. 😀

  5. Pingback: As trilhas Sonoras + Jogos Eletrônicos | Sons Of Bit

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