Sobre fanboyismo e rivalidades

Quem jogou vídeo game na década de 90 deve se lembrar daquela briga que parecia ser eterna entre os jogadores de Mega Drive e SNES. Cada um defendia o seu como podia: os mínimos detalhes de som e efeitos gráficos eram comparados. No entanto, raramente alguém dava o braço a torcer, mesmo que um dado detalhe fosse realmente superior no console alheio.

 SegaMegadriveWikimedia Commons 

Super_Nintendo_Entertainment_System-USAWikimedia Commons

 

Mais adiante na história do videogame outras empresas como a Sony e a Microsoft se lançam no mercado de jogos. Usando marketing agressivo e eficiente, logo essas duas gigantes multinacionais conseguem cativar um público fiel. Neste meio termo a Sega parou de produzir consoles. Os fãs desta plataforma tiveram que migrar para outra plataforma para continuar jogando os jogos da sua empresa favorita que nunca deixou de produzir o Sonic!
Pela primeira vez o encanador vermelho pode contracenar em um mesmo jogo com o ouriço azul. Seria cômico se não fosse trágico se algum fã xiita do Sonic da década retrasada pudesse ver esses dias de hoje através de uma bola de cristal. Pior pra ele se o vizinho fã do Mario visse junto: a zoação seria infinita.
Mas então assim terminou a história. Os haters fizeram as pazes e viveram felizes para sempre jogando Mario e Sonic at the Olympic Games.

Mario_and_Sonic_-_Flickr_-_Sergey_GalyonkinWikimedia Commons

Só que não.

Como haters gonna hate, os fãs das outras empresas que surgiram continuam também mantendo a tradição de defender suas plataformas com unhas e dedos.

Tex_playing_video_gamesWikimedia Commons

As vezes as picuinhas se dão de maneira irracional como “o meu é melhor que o seu e pronto”. Mas na internet você pode encontrar vídeos quase profissionais comparando os principalmente os gráficos de um mesmo jogo para cada plataforma. Esse quesito é sem dúvidas o mais comparado em detrimento do áudio e outros elementos como história e física, que apesar disso também são muito comparados.

1200px-2_men_using_their_computers  Wikimedia Commons

“Olha só! No cocô do cavalo do meu cavaleiro aparecem moscas! No seu não tem isso, haha!“
“Nossa, que barato! Dá para sentir o cheiro!”
“Ops!”

Os fãs chegam a ter o mesmo fanatismo de torcedores de futebol, que vibram com as vitórias da sua marca querida e choram quando estas publicam uma notícia ruim. Procuram em fóruns especializados sobre os deslizes das empresas rivais para poder jogar na cara do amiguinho apreciador da outra plataforma.

Fanboy_NintendoWikimedia Commons

Certamente vocês já ouviram frases como estas:
Nintendistas: -Gráficos não importam!

Sonystas: -Vou jogar jogo de adulto no meu console de adulto

Caixistas: -O meu online é pago, mas é infinitamente superior ao online bugado de vocês.

Pczista: -Gráficos.

E as vezes estas pessoas são tão sem noção a ponto de ser possível encontrar gente que joga jogos numa TV velha de tubo xingando os gráficos do console do colega que  joga o console rival numa TV de plasma de 50 polegadas.

Isso porque para o hater o importante não é a experiência em game: é provar que o seu é melhor que o do outro, mesmo que em alguns aspectos não seja.

E motivo todo dessa disputa eu não sei. Talvez Freud explique ou talvez seja aquela história de compensação de frustrações na vida. Fato é que ninguém faz amigos criticando os jogos favoritos dos outros. Esse tipo de arrogância desnecessária só leva ao ódio entre gamers que poderiam muito bem compartilhar a diversidade de experiências de gameplay juntos.

1200px-Arcade-20071020-aWikimedia Commons

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4 comentários em “Sobre fanboyismo e rivalidades

  1. Aprovado! Se você gosta mesmo, é só trabalhar, junta o dinheiro, compra todas os consoles, vários jogos e quando você tiver um tempo entre umas férias e outra, fila de banco, onibus e etc, vc joga o tiver vontade! =)

  2. Acredito que isso começou devido as propagandas agressivas que colocavam diretamente um console contra o outro, o publico engoliu isso e começou a seguir, com a popularização da internet facilitou as “brigas” já que a pessoa as vezes pode ficar no anonimato, e mesmo que não fique está tão longe que provavelmente nunca irá encontrar com a pessoa que discutiu. Enfim uma ótima matéria, bem imparcial e coerente, exatamente o que eu penso, uma pena os gamers terem chegado a esse ponto, enfim parabéns pela matéria Isa, te acompanharei mais vezes.

    • Cara, também acho isso, tipo a propaganda da nintendo na década de 90, é nintendo ou nada… e o pior que o Megadrive era citado como vídeo game de rico, não sei aonde a galera tirou isso mas ta rsrs

  3. Pingback: Entre Haters e Fanboys | Sons Of Bit

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