Tcheco no Castelo do Sarney

Após se tornarem bastante populares graças ao Steam e a geração passada de consoles, com suas grandes networks como a Xbox Live e PSN,  hoje os jogos Indies estão em alta. Com isso, vários desenvolvedores e pequenos estúdios tiveram a oportunidade de mostrar o seu trabalho para o mundo, incluindo alguns representantes brasileiros como a famosa Joymasher. Mesmo assim, nossa representatividade nessa área ainda é bem pequena e são poucos os que realmente conseguem finalizar um projeto de qualidade e levar este sonho adiante. E é em prol disso, que hoje venho apresentar para vocês, um jogo 100% nacional muito competente e feito com muita dedicação e carinho.

Então, assista ao vídeo abaixo e leia a nossa entrevista com o criador do jogo, Marcelo Barbosa:

 

Tcheco foi criado justamente para a série de TV ou você já fazia coisas com o personagem em outras mídias, como quadrinhos etc ?
Marcelo: A série de TV é de 1999, mas o personagem surgiu em 1994. Tcheco é a caricatura de um colega de escola meu – e foi criado justamente durante as aulas, quando eu desenhava na carteira (mau exemplo!). Naquele tempo eu já fazia animações com essas caricaturas dos colegas, que circulavam através de disquetes entre o pessoal do colégio. Então o Tcheco sempre existiu como personagem de desenho animado. Primeiro como uma piada interna, depois como uma série na TV a cabo aqui em Porto Alegre.

Eu nem imagino o trabalho que é produzir uma animação por conta própria aqui no Brasil, ainda mais na década de 90. Você pode nos contar um pouco sobre este processo de produção e os desafios enfrentados na época?
Marcelo: Refletindo hoje, me dou conta da demência que foi a ideia de fazer a série do Tcheco em 1999. É bom ser jovem e sem noção, a gente simplesmente vai lá e faz. E era algo incomum mesmo: infelizmente não existem muitos registros sobre isso mas, até onde eu sei, Tcheco foi a segunda série animada produzida no Brasil.

A produção era complicada porque eu fazia tudo em meu PC 486 – que já era uma carroça naquela época. As animações eram montadas em programas simples. Um deles (que veio junto com minha primeira placa de som) criava “apresentações multimídia” e era nele que eu montava os episódios do Tcheco. Com esse programa, eu podia no máximo rodar uma animação com um som tocando ao mesmo tempo. Depois trocava para outra animação com outro som. Não dava pra misturar sons ou vídeos, nem fazer nada que não fosse extremamente simples. É por isso que os desenhos antigos têm um ritmo todo estranho: um personagem caminha sem falar nada, depois ele pára e começar a falar, por exemplo. Os episódios antigos estavam muito mais próximos de um Power Point que de um desenho animado tradicional.

Fora isso, o Canal Comunitário (que exibia o Tcheco na época) só exibia programas em fitas Super VHS. Então o PC era ligado em uma televisão (através de um hardware próprio pra isso, não era comum ainda placas de vídeo com saída pra TV), e daí era feita a gravação para as fitas, usando um videocassete Super VHS. Como meu PC era ruim, a gravação era feita na casa de um amigo que tinha um computador melhor – e todos os equipamentos necessários tinham que ser transportados pra lá. Era um trabalho infernal.

Você tinha em mente realizar outras temporadas do tcheco? Se sim, por que não aconteceu?
Marcelo: Sim, o plano era lançar a segunda temporada no segundo semestre de 2000. Mas estava num período sem ideias e com a faculdade tomando a maioria de meu tempo. Além disso, fazer a primeira temporada tinha sido muito cansativo e acabei adiando, adiando, até que os novos desenhos nunca saíram. Existem partes de episódios que foram iniciados na época mas não chegaram a ser concluídos. O único desses pós-1999 que foi finalizado foi o “Aniversário do Gonça”, lançado em 2003 na internet.

O seu trabalho no universo do romhacking é bem legal, com várias contribuições para comunidade. Quando você viu que estava preparado para começar a trabalhar no seu próprio jogo e quando o desenvolvimento realmente começou?
Marcelo: Vontade de fazer um jogo eu tenho desde criança, ideias nunca faltaram. Mas, como eu não programo, não via possibilidade em levar um projeto assim adiante. Quando eu fiquei sabendo da existência do Scirra Construct (software para criação de jogos através de eventos, sem programação) em 2011, imediatamente me interessei em fazer meu próprio jogo. Depois de pesquisar alguns tutoriais, comecei um jogo chamado “Suppadoventoro Tcheco”, que acabou não indo pra frente por ser ambicioso demais (tinha medo de nunca ficar pronto). No final de 2012, retomei o projeto de fazer um jogo, dessa vez com o Tcheco no Castelo do Sarney, que é bem mais simples.

Quais as ferramentas que você usou para desenvolver o jogo?
Marcelo: Usei essencialmente o Scirra Construct. E, pra garantir que o jogo ficasse parecido com um jogo de Nintendo 8-bits, mexi também com ferramentas normalmente usadas na construção de jogos para esse console (YY-CHR para criação de gráficos, NES Screen Tool para montagem de cenários e Famitracker para os efeitos sonoros).

Um dos pontos fortes de Tcheco no castelo do sarney é  o design e a variedade de fases, como que você as criou ?
Marcelo: Me inspirei em antigos jogos de puzzle, como Solomon’s Key e Bugs Bunny Crazy Castle. A diferença é que queria fazer uma “versão descerebrada” desse conceito “pega-a-chave-e-vai-para-a-saída”: sem muita estratégia, só com ação mesmo. E queria que o Tcheco ficasse pulando o tempo todo, por isso não incluí um botão de ataque. Como os controles são muito simples e praticamente sempre os mesmos, a variedade no jogo ficou sob responsabilidade do design das fases. Pra cada nova tela eu tentava criar um desafio que até então não tinha aparecido no jogo. Caso fosse um desafio repetido, procurava deixar mais difícil ou misturar com algum outro elemento que não deixasse o inimigo reaproveitado tão parecido quanto antes.

Quando penso na ambientação do jogo, nos desafios e na ideia de variar mais as fases que o gameplay, também acabo lembrando de alguns jogos americanos e europeus de NES, como The Addams Family, Bart vs. The Space Mutants e Ghostbusters 2. São todos títulos considerados ruins ou medianos atualmente pela maioria, mas que me divertiram muito na época e certamente me influenciaram no Tcheco.

Tem alguma ideia ou feature que você queria colocar no jogo e que teve de ficar de fora?
Marcelo: Sim, muita coisa ficou de fora. Eu sei apenas o básico do Construct, então um monte de ideias não puderam ser executadas por não saber como implementar elas. E logo no início do desenvolvimento eu havia decidido que o jogo teria 50 telas, então escolhia algumas entre diversas fases (desenhadas anteriormente no papel) para colocar no jogo. Nesse processo, vários estágios acabaram não entrando no jogo final.

Você tem planos de seguir em frente desenvolvendo novos jogos?
Marcelo: Tenho ideias pra dezenas de outros jogos, mas não dá pra saber ainda se são projetos que irão pra frente. Vai depender diretamente da aceitação do Tcheco no Castelo do Sarney no Steam (agora renomeado pra Tcheco in the Castle of Lucio).

Quais os conselhos ou dicas que você daria para um jovem que também sonha em realizar seu jogo?
Marcelo: Que comece logo de uma vez. Hoje existem diversas ferramentas (muitas até gratuitas) voltadas à construção de jogos, então não há desculpas pra deixar a ideia apenas no papel. Também que estude bastante a história dos jogos e como eles foram feitos. E por fim, o mais importante é sempre a jogabilidade, mas um bom jogo tem mais do que isso. Você tem que se questionar e planejar por qual característica, além do gameplay, seu jogo será relevante e lembrado.

Eu considero você, Marcelo, um cara esforçado e um vencedor, ainda tem algum projeto que você sonha realizar?
Marcelo: Muito obrigado =D
Ainda pretendo ter tempo e dinheiro para produzir uma segunda temporada de desenhos animados do Tcheco. E gostaria de poder lançar pelo menos um jogo a cada 2 anos.

Agradecemos sua atenção Marcelo, te desejamos todo o sucesso do mundo e que Tcheco seja aprovado no Greenlight for great justice!
Marcelo: Obrigado de novo!

Se Desejar deixar algum recado ou fazer algum outro tipo de jabá para nossos leitores o espaço é seu, obrigado.
Marcelo: Queria pedir uma força para que o Tcheco seja aprovado no Steam Greenlight. O endereço para votação é http://steamcommunity.com/sharedfiles/filedetails/?id=397964543

 

Pyron

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